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AEJ (Arquivo Eletrônico de Jornada) da Portaria 671: o Guia Completo

A jornada já apurada — totais, ausências e banco de horas — no arquivo que a fiscalização cruza com o AFD.

Equipe F4cil
27/08/2026
13 min de leitura

Se o AFD é a marcação bruta, o AEJ é a jornada já calculada: totais trabalhados, horas extras, adicional noturno, ausências e banco de horas — num arquivo padronizado que a fiscalização cruza com o AFD e com o espelho de ponto. Este guia explica o que é o AEJ, o que ele substituiu, quem precisa gerar e como é a sua estrutura, registro por registro.

No controle de ponto eletrônico existem dois arquivos que vivem sendo confundidos: o AFD e o AEJ. O AFD é a marcação crua, como saiu do relógio. O AEJ — Arquivo Eletrônico de Jornada é o passo seguinte: a jornada já apurada, com os totais calculados, as horas extras, o adicional noturno, as ausências e o banco de horas. É o arquivo que traduz batidas de ponto em jornada de trabalho.

Enquanto o AFD comprova que o funcionário registrou o ponto, o AEJ mostra como essa jornada foi tratada. Por isso a fiscalização cruza os dois — mais o espelho de ponto — pra ver se tudo bate. Este guia explica o que é o AEJ, o que ele substituiu, quem precisa gerar e como é a sua estrutura, registro por registro.

O que é o AEJ (jornada apurada)

O AEJ é um arquivo de texto que consolida a jornada de trabalho de um período. Para cada empregado, ele lista o horário contratual, as marcações já tratadas (originais, incluídas, pré-assinaladas ou desconsideradas), as ausências e os movimentos de banco de horas. É a "jornada apurada" — aquilo que efetivamente vira folha de pagamento.

A diferença de propósito é o que importa: o AFD é prova (registro imutável do que aconteceu no relógio); o AEJ é apuração (o que o sistema calculou a partir daquilo).

AFD × AEJ: a diferença que confunde todo mundo

AspectoAFDAEJ
O que contémMarcações brutas do REP + eventos do equipamentoJornada apurada: horário contratual, marcações tratadas, ausências, banco de horas
Quem geraO REP (o relógio)O PTRP (o programa de tratamento)
Formato dos camposPosicional (cada campo em posições fixas)Delimitado por | (pipe)
IntegridadeCRC-16 + hash SHA-256Assinatura digital CAdES (arquivo .p7s)
Versão do leiaute003001

O que o AEJ substituiu

O AEJ é uma novidade da Portaria 671 e substituiu dois arquivos antigos da Portaria 1.510/2009:

  • AFDT — Arquivo Fonte de Dados Tratado
  • ACJEF — Arquivo de Controle de Jornada para Efeitos Fiscais

Quem gera o AEJ (o PTRP)

O AEJ não sai do relógio — sai do PTRP (Programa de Tratamento de Registro de Ponto), o software que recebe as marcações do REP-C, REP-A ou REP-P e apura a jornada. É esse programa que aplica hora extra, adicional noturno, tolerâncias, ausências e banco de horas, e então exporta o AEJ.

Na prática, qualquer empregador que use controle eletrônico de ponto precisa conseguir gerar o AEJ quando a fiscalização, o sindicato ou o empregado pedir. O arquivo deve estar disponível para todo o período de guarda de 5 anos após a rescisão.

As regras gerais do arquivo

  1. Formato texto, codificado em ASCII / ISO 8859-1.
  2. Cada linha é um registro e termina com os caracteres 13 e 10 (CR + LF).
  3. Dentro de cada registro, os campos são separados pelo delimitador | (pipe) — exceto o último campo da linha.
  4. Sem linhas em branco.

Os tipos de dado dos campos

SiglaTipoFormato
NNuméricosó dígitos
AAlfanuméricotexto
HHorahhmm (ex.: 0800)
DDataAAAA-MM-DD
DHData e horaAAAA-MM-DDThh:mm:00ZZZZZ com fuso

Os tipos de registro do AEJ

Diferente do AFD (que tem tipos 1 a 9), o AEJ organiza a jornada em registros de 01 a 99:

TipoO que registra
01Cabeçalho — dados do empregador e período
02REPs utilizados na apuração
03Vínculos — os empregados (CPF e nome)
04Horário contratual — a jornada que o empregado deveria cumprir
05Marcações tratadas — cada batida, com sua fonte e situação
06Matrícula no eSocial (para quem tem mais de um vínculo)
07Ausências e banco de horas
08Identificação do PTRP (o programa que gerou o arquivo)
99Trailer — fecha o arquivo com a contagem de cada registro

Os registros que fazem o AEJ ser o AEJ

Três registros carregam a "inteligência" da jornada — é o que o AFD não tem:

Tipo 04 — Horário contratual

Descreve a jornada que o empregado deveria cumprir: duração em minutos e os pares de entrada/saída (até vários por dia). Em jornada noturna, a duração já considera a hora reduzida. É contra esse horário que as marcações são comparadas pra apurar extras e faltas.

Tipo 05 — Marcações tratadas

Cada marcação da jornada, mas agora classificada. Dois campos definem tudo:

CampoValoresSignificado
tpMarcE / S / DEntrada, Saída ou Desconsiderada
fonteMarcO / I / P / X / TOriginal do REP, Incluída manualmente, Pré-assinalada, Exceção, ou ouTras
Uma marcação (tipo 05) na prática
Os campos são separados por pipe. Uma entrada original ficaria assim:
05|1|2026-08-24T08:00:00-0300|1|E|1|O|ADM|

05 = tipo · 1 = id do vínculo · 2026-08-24T08:00:00-0300 = data/hora · 1 = id do REP · E = entrada · 1 = 1º par entrada/saída · O = marcação original · ADM = código do horário contratual.

Tipo 07 — Ausências e banco de horas

Registra o que aconteceu fora da marcação normal, com um código de tipo:

CódigoTipo de ausência/compensação
1DSR — Descanso Semanal Remunerado
2Falta não justificada
3Movimento no banco de horas (crédito ou débito, em minutos)
4Folga compensatória de feriado

Assinatura digital e trailer

O AEJ é fechado por um registro tipo 99 (trailer), que conta quantos registros de cada tipo o arquivo tem — se a contagem não bate, o arquivo está corrompido ou foi editado.

A integridade é garantida por assinatura digital no padrão CAdES (CMS Advanced Electronic Signature), armazenada em um arquivo .p7s destacado (detached). No próprio AEJ, o campo de assinatura leva o texto literal ASSINATURA_DIGITAL_EM_ARQUIVO_P7S — a assinatura de fato viaja no arquivo .p7s que acompanha.

AFD, AEJ e espelho: a tríade que precisa bater

A fiscalização quase nunca olha um arquivo isolado — ela cruza os três. As marcações brutas do AFD têm que ser as mesmas que aparecem tratadas no AEJ; e o espelho de ponto (o documento legível que o funcionário assina) tem que refletir os totais do AEJ.

Como gerar (e o que cobrar do sistema)

Como o AEJ é resultado do tratamento, a qualidade dele depende inteiramente do software de ponto. O que você precisa garantir:

  1. O sistema exporta o AEJ no leiaute 001 da Portaria 671, com os campos separados por pipe e a assinatura CAdES (.p7s).
  2. A apuração aplica corretamente hora extra, adicional noturno (com hora reduzida), DSR, tolerâncias e banco de horas.
  3. Toda inclusão/desconsideração de marcação guarda o motivo (rastreabilidade).
  4. AFD, AEJ e espelho de ponto batem entre si — mesmos horários, mesmos totais.
  5. Você consegue baixar o AEJ de qualquer período em segundos, quando for pedido.

Conclusão

O AEJ é onde a jornada ganha sentido: ele pega a marcação bruta do AFD e a transforma em horas trabalhadas, extras, ausências e banco de horas — tudo num formato que a fiscalização e o eSocial entendem. É o retrato oficial de como a empresa apurou o tempo de trabalho.

Você não gera o AEJ na mão, mas a responsabilidade pelo que está nele é da empresa. Um sistema de ponto que apura certo e mantém AFD, AEJ e espelho coerentes é a diferença entre passar por uma fiscalização em minutos ou virar réu num processo. Entender o AEJ é entender onde mora o risco — e onde mora a tranquilidade.

Equipe F4cil
Especialistas em jornada
#Portaria 671 #AEJ #Compliance #Jornada
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